No programa desta semana, vamos falar sobre Open Banking, a revolução no sistema financeiro brasileiro.

A partir do início de 2021, o open banking, ou banco aberto, dará continuidade à revolução digital que está sendo promovida pelo Banco Central no sistema financeiro brasileiro. A primeira empreitada foi com o PIX.

Na prática, por meio do open banking, o consumidor terá total controle das suas informações financeiras e poderá solicitar que elas sejam compartilhadas com outro banco de sua escolha. Mas o compartilhamento de dados é apenas a primeira fase. Outras duas virão na sequência e trarão mais inovações, mais concorrência e mais liberdade ao consumidor para fazer suas opções de contratações de produtos financeiros.

Para explicar como será o funcionamento do open banking, a jornalista Angela Crespo recebe no programa Consumo em Pauta Vinícius Machado, especialista em economia e finanças.

Diferentemente do PIX, destaca Machado, ninguém precisará se cadastrar neste sistema tecnológico, tampouco criar chaves. A adesão será uma decisão pessoal e somente as instituições financeiras serão obrigadas pelo Banco Central a participarem dele. Isso significa que quem não desejar participar do open banking, poderá fazer esta opção sem nenhuma consequência.

Implantação do open banking em 3 fases

Como já dissemos acima, o open banking terá três fases. De acordo com o especialista em economia e finanças, na primeira teremos a liberdade de compartilharmos nossas informações financeiras com a instituição que desejarmos, mesmo não mantendo relacionamento com ela.

Para tanto, o consumidor dono dos dados irá autorizar a instituição financeira que ele deseja manter relacionamento a solicitar suas informações com a que ele já opera.

Por exemplo, se eu sou cliente do banco A e quero começar um relacionamento com o banco B, este irá solicitar todas as minhas informações ao banco A. Em seguida, eu vou no aplicativo do banco A e dou o OK para o compartilhamento das informações. “Não haverá nenhuma interlocução humana. Não teremos de pedir nada ao gerente e este não poderá brecar o envio dos dados. Os arquivos serão enviados diretamente pelo sistema do open banking entre as duas instituições”, explica Machado.

Um detalhe importante é que serão enviados pelo banco A ao banco B os dados completos. Em outras palavras, serão repassados os dados da compra que fiz no mercado X, inclusive informando o dia, quanto paguei e o meio de pagamento que usei, até a data e o valor do empréstimo pessoal que pedi ao banco A, se paguei no vencimento ou não, se estou inadimplente.

Assim como serão enviados os dados de movimentação da conta corrente, financiamentos, empréstimos, cartão de crédito, etc, e nos detalhes. “Não será necessário ir até o banco e pegar um monte de papel. Tudo será feito via tecnologia”, explica Machado.

Segunda fase do open banking

Num segundo momento, o open banking vai fazer aparecer novas figuras no mercado financeiro. Explica Machado que serão criados tipos de marketplaces de finanças, que irão reunir uma série de instituições financeiras. Por sua vez, estas instituições poderão fazer ofertas de serviços financeiros nestes marketplaces. “Igual ao que ocorre com os marketplaces de e-commerce. Mas o financeiro será como um leilão, o que possibilitará a competição de oferta de crédito. Algo que o consumidor brasileiro sempre sonhou no mercado de crédito.

Em síntese, os marketplaces financeiros funcionarão como uma plataforma de ofertas. O consumidor abre uma conta no que ele escolher (não é conta corrente, é de informações), disponibiliza seus dados financeiros para que as instituições financeiras possam conhecê-las.

Caso o consumidor deseje um financiamento, um empréstimo, ou qualquer outro produto, poderá escolher a que está oferecendo juros mais baixos, melhores condições de pagamento, menor burocracia.

Machado alerta sobre um detalhe importante: “As instituições com acesso ao marketplace financeiro não saberão a quem pertence as informações disponibilizadas. Elas serão anônimas. Só saberão a quem pertence os dados o marketplace que o consumidor se cadastrou. ” Outro detalhe é que os marketplaces financeiros não serão quem entregará os produtos. Serão apenas intermediadores, mas regulados pelo Banco Central.

Terceira fase

Por fim, na terceira fase do open banking qualquer cidadão terá a possibilidade de comprar produto de uma instituição financeira mesmo não tendo nenhum relacionamento com ela.

Por exemplo, num financiamento de veículo, não será necessário fazer cadastro ou ter conta corrente na instituição que concederá o crédito. “Está será a máxima expressão do open banking, uma vez que, neste momento os produtos financeiros serão uma coisa só”, avalia Machado.

Open banking no mundo

No Brasil, a primeira faze do open banking está prevista para ter início em fevereiro. O cronograma do Banco Central para a segunda fase é seis meses depois da primeira. Passados mais seis meses, entra a terceira fase, se tudo der certo. Ou seja, os processos serão até 2022.

Vale dizer que o open banking já existe em outros países, mas ainda é algo novo. A Inglaterra foi a primeira nação a começar a trabalhar com este sistema. Lá, ele foi implantado em 2018. A Índia também já começou a implantar a primeira fase, assim como a Austrália. Ainda, países como Estados Unidos, Canadá e Rússia estão trabalhando para incorporar o open banking em seus sistemas financeiros.

O programa Consumo em Pauta é apresentado pela jornalista Angela Crespo todas as segundas, às 16h, com reapresentações as terças, às 9h, e as quartas, às 20h, na Rádio Mega Brasil Online. Ouça em: https://radiomegabrasilonline.com.br/.

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Boas festas!